A paisagem sonora atual do futebol — dembow nos clipes de comemoração, funk brasileiro nos edits, urbano latino em toda playlist de elenco — não apareceu de repente. Foi construída ao longo de cerca de uma década, e J Balvin foi um dos artistas que a construíram.
Sua importância para a música do futebol é sobretudo estrutural, não anedótica. Ele fez parte da onda que tornou o reggaeton legível para públicos que não falavam espanhol, e essa legibilidade é a pré-condição de tudo o que veio depois.
Tornar o gênero portátil
A expansão do reggaeton para o futebol europeu exigia que o gênero funcionasse para ouvintes que não entendiam as letras. As produções de Balvin — limpas, melódicas, construídas sobre ganchos que funcionam como som e não como língua — eram excepcionalmente adequadas a essa tarefa.
Quando um jogador francês ou inglês pôde curtir uma faixa de reggaeton sem processar uma palavra, a barreira do vestiário caiu. Da chegada posterior do dembow ao domínio atual do funk brasileiro, tudo passou pela porta que se abriu então.
Torneios e momentos públicos
Fora do vestiário, o reggaeton virou presença fixa em transmissões de torneios, playlists de estádio e trilhas oficiais de eventos no mesmo período. É o canal institucional descrito no texto sobre Karol G neste site, e Balvin operou nele com constância.
Onde ele está agora
O gosto musical do futebol avançou no sentido de que hoje ritmos mais novos e rápidos dominam a cultura dos edits. Mas a infraestrutura é herdada. Quando um disco de dembow dominicano embala uma comemoração de Copa em Madri, ele chega por um caminho aberto por uma década de cruzamento do reggaeton.
O guia de cultura musical do futebol deste site conta essa história longa, e a playlist do Spotify mostra onde ela chegou.
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