Funk Brasileiro · 8 min

Funk carioca, mandelão, bruxaria: os subgêneros explicados

Os rótulos parecem arbitrários de fora. Não são: cada um descreve uma decisão de produção específica.

Fora do Brasil, o funk brasileiro costuma ser tratado como um gênero só, o que é mais ou menos tão preciso quanto tratar toda a música eletrônica como um só. Os rótulos de subgênero não são categorias de marketing: cada um descreve um conjunto distinto de decisões de produção, com geografia e público próprios.

Funk carioca

O estilo original do Rio, construído sobre o ritmo do tamborzão. As estruturas de música são reconhecíveis, os vocais costumam ser cantados ou melódicos e os arranjos deixam espaço para ganchos.

É a versão mais exportável e a que mais provavelmente aparece numa playlist de elenco, antes de aparecer num edit, pelas razões expostas no artigo sobre o funk brasileiro no futebol.

Funk ostentação

Um desenvolvimento paulista centrado liricamente em aspiração e sucesso material, com produção mais limpa e polida que a norma carioca. Sua importância cultural supera sua presença atual nas paradas, mas marcou o momento em que São Paulo virou um centro do funk por conta própria.

Mandelão

A ponta pesada. O mandelão reduz a melodia a quase nada e coloca em primeiro plano uma percussão densa e repetitiva, muitas vezes com a voz reduzida a uma frase gritada em coro. Os andamentos parecem mais rápidos porque a percussão é mais apertada, não necessariamente porque o BPM é maior.

É o som que impulsiona a presença do funk no conteúdo global de futebol. Funciona sem entender a letra e é claro no alto-falante de celular.

Bruxaria

A faixa mais experimental. A bruxaria usa graves desafinados e deslizantes, figuras rítmicas instáveis e um design sonoro que desestabiliza de propósito. Não é feita para escuta casual e funciona como laboratório do gênero: o funk mainstream costuma absorver suas ideias dezoito meses depois.

Phonk brasileiro

Um híbrido mais do que um subgênero nativo do funk, combinando elementos rítmicos do funk com a estética phonk derivada de Memphis, popular em conteúdo de carro e academia. Tem artigo próprio neste site porque se comporta no algoritmo de forma diferente do funk puro.

Como usar os rótulos

Para uma playlist, o subgênero diz em que ponto da sequência a faixa entra. Para um edit, diz que registro emocional as imagens vão herdar. O guia de playlists deste site cobre o primeiro uso, e o guia de música de futebol no TikTok, o segundo.

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FAQ

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre mandelão e bruxaria?

O mandelão é pesado, repetitivo e guiado pela percussão. A bruxaria vai além, com graves desafinados e deslizantes e padrões deliberadamente desorientadores.

Qual subgênero aparece mais nos edits de futebol?

O mandelão, porque densidade e peso combinam com cortes rápidos, embora faixas cariocas melódicas sejam mais comuns em playlists de vestiário.

Faixas

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